
Um dia eu estava lá, do outro lado da estação, quando aqueles olhos me fitaram.
Tentei acenar com a mão,
Tentei soltar balão,
os gestos não chegavam...
Outro dia, numa manhã qualquer aqueles olhos me acampanhavam,
em mim senti aflição, mas dela era paixão que se descontrolava...
Meus olhos, um outro dia, olharam para o outro lado da estação e lá eu fitava aquele ser.
Que de mim não sabia nada, de mim não queria querer.
Eu busquei informação...
Eu corri atraz do bonde.
Chorei, fiz oração. Não descobri onde ela se esconde.
Mais tarde, lembrei dos olhos que me fitavam e de mim nasceu alegria. Era tudo que que me faltava, mas não sabia se queria. Corri para lá da estação... um corre, corre. Gente demais. No espaço um vazio escuro e de longe sorria um rapaz.
" Amigo! Chora mais um dia, a fitadora já não volta não. Sois tu, um desalmado, louco, sandio que deixou que o frio a levasse em vão."
Caminhei tentando me recompor. Era tarde demais, eu dizia. Não havia glória no que se fazer. Era chorar adiante, eu queria. Mas antes da estação acabar. Bateu em mim um dor fulminante. Acabei comigo por uma ilusão. E deixei outro cambaleante.
Perdão, moça fitadora. Mais lindos olhos já não haverão. Sinto que aqui me desfarço e te peço compreensão. Aqui pego esse trem. Sinto, não mais me verá. Haverá um outro rapaz, um tanto menos fugaz que irá lhe fitar.
"Não mais haverá motivos para se gaguejar, para se suspirar. Para se usar a saia mais bonita, ser capa de revista, ter coragem de atravessar o vagão, de suas pupilas se encharcarem. Não haverá motivos para sentir que o tempo passa como as "andorinhas de Becker", para tremer. Porque não haverá um outro alguém do outro lado da estação."